segunda-feira, 23 de abril de 2012


A Crise
Um homem vivia à beira de uma estrada e
vendia cachorro quente. Ele não tinha rá-
dio, televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia bons cachorros quentes. Ele
se preocupava com a divulgação do seu
negócio e colocava cartazes pela estrada,
oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava. As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha. Foi necessá-
rio também adquirir um fogão maior para
atender grande quantidade de fregueses e o
negócio prosperava. . . Seu cachorro quente era o melhor de toda região! Vencedor,
ele conseguiu pagar uma boa escola ao fi-
lho. O menino cresceu e foi estudar Economia numa das melhores faculdades do
país. Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava
com a vidinha de sempre e teve uma séria
conversa com ele:
— Pai, então você não ouve rádio? Você
não vê televisão e não lê os jornais? Há
uma grande crise no mundo. A situação
do nosso país é crítica. Está tudo ruim. O
Brasil vai quebrar.”
Depois de ouvir as considerações do filho
estudado, o pai pensou:bem, se meu filho
estudou Economia, lê jornais, vê televisão,
então só pode estar com a razão.”
Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior) e começou a comprar salsicha mais barata (que era, também, a pior). Para economizar, parou de fazer seus cartazes de
propaganda na estrada. Abatido pela notí-
cia da crise já não oferecia o seu produto
em voz alta. . . Tomadas todas essas providências", as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportaveis e o negócio de cachorro quente do velho, que antes gerava recursos até
para fazer o filho estudar Economia, quebrou.
O pai, triste, então falou para o filho:
-Você estava certo, meu filho, nós estamos
nno meio de uma grande crise.” E comen
tou com os amigos, orgulhoso: -Bendita a
hora em que eu fiz meu filho estudar Economia. Ele me avisou da crise. . . ”

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